COMPULSÃO

Comportamento Compulsivo:

          Compulsões, Comportamentos Compulsivos/ Aditivos:

Os Comportamentos Compulsivos são também chamados de Comportamentos Aditivos. São hábitos aprendidos e seguidos por alguma gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados inúmeras vezes e acontecem quase automaticamente.

Diz-se que esses Comportamentos Compulsivos são mal adaptativos porque, apesar do objetivo que têm de proporcionar algum alívio de tensões emocionais, normalmente não se adaptam ao bem estar mental pleno, ao conforto físico e à adaptação social. Eles se caracterizam por serem repetitivos e por se apresentarem de forma freqüente e excessiva.

A gratificação que segue ao ato, seja ela o prazer ou alívio do desprazer, reforça a pessoa a repeti-lo mas, com o tempo, depois desse alívio imediato, segue-se uma sensação negativa por não ter resistido ao impulso de realizá-lo. Mesmo assim, a gratificação inicial (o reforço positivo) permanece mais forte, levando a repetição.

O TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo está dentro dos Comportamentos Compulsivos:

Atualmente há uma sadia tendência na classificação dos transtornos emocionais que é agrupar aqueles que tenham em comum o comprometimento da vontade (volição), ou seja, com sintomas impulsivos ou compulsivos. Dessa forma, algumas síndromes em psiquiatria podem, a partir de grupos de sintomas afins, ser classificadas como doenças de semelhantes características neurobiológicas e genéticas.

A idéia de comportamentos repetitivos, atualmente bem sistematizada por Eric Hollander (2001), é de que os transtornos que acometem predominantemente a área da vontade (volição) e se manifestam por alguns comportamentos compulsivos e impulsivos, de modo geral, podem ser agrupadas em um mesmo tronco patológico. Seriam os Transtornos do Espectro Impulsivo-Compulsivo.

Dentro dos comportamentos compulsivos teríamos, além do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), aqueles relacionados ao Transtorno do Esquema Corporal (ou Transtorno Dismórfico Corporal), como por exemplo, a Anorexia Nervosa, a Bulimia, Vigorexia e a Hipocondria. Essas pessoas teriam uma falsa imagem do próprio corpo, algumas achando que estão gordas (Anorexia e Bulimia), outras achando que não são fortes e perfeitos o suficiente (vigorexia) e outros ainda achando que parte de seu corpo adoece (hipocondria).

Por que ocorrem Comportamentos Compulsivos:

Não há uma causa bem estabelecida para a ocorrência de Comportamentos Compulsivos. Pode-se falar em vulnerabilidades e predisposições, seja de elementos familiares, tais como os hábitos conseqüentes à extrema insegurança e aprendidos no seio familiar, seja por razões individuais e relacionados às vivências do passado e a ao dinamismo psicológico pessoal, seja por razões biológicas, de acordo com o funcionamento orgânico e mental.

Assim, Comportamentos Compulsivos ou Aditivos podem ser entendidos como atitudes (mal-adaptadas) de enfrentamento da ansiedade e/ou angústia, trazendo conseqüências físicas, psicológicas e sociais graves. Algumas pessoas apresentam comportamentos com caráter compulsivo, que levam a conseqüências negativas em suas vidas, como por exemplo, recorrer ao uso abusivo do álcool, das drogas, à fuga do convívio social, ao hábito intempestivo do vômito e às mais variadas atitudes.

Essas pessoas podem ainda comprar compulsivamente, sem levar em conta o saldo bancário, comer compulsivamente, mesmo quando não se tem fome, jogar, praticar atividades físicas em excesso, etc.

As complicações dos Comportamentos Compulsivos:

Normalmente nesse tipo de problema, classificados em PsiqWeb sob o título de Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo, a pessoa acaba tornando-se dependente dessas atitudes, as quais ocupam um espaço importante no seu cotidiano. Em alguns casos ocorrem-se danos físicos, como na pessoa com Vigorexia, que precisa malhar (exageradamente) todos os dias e por longas horas, ou lesões na pele das mãos devido aos rituais de lavar continuadamente, ou escoriações quando há auto-escoriações, calvície quando há Tricotilomania, ou desnutrição quando a compulsão é por vômitos (Bulemia) e assim por diante.

Normalmente essas pessoas sentem desconforto emocional se não fizerem esses comportamentos, apresentam grande angústia ou ansiedade na ausência ou na impossibilidade em realizar a atividade compulsiva.

Socialmente a ocorrência de tais comportamentos pode resultar em prejuízo no trabalho, na conclusão de tarefas, na liberdade de sair de casa, na vergonha do contacto com outras pessoas, etc.

A repetição desses comportamentos e o aumento gradual da freqüência deles acabam caracterizando um verdadeiro processo de dependência. Alguns buscam o alívio do desprazer das emoções de angústia e ansiedade, do afastamento de pensamentos incômodos. Quando se pretende a busca do prazer pode haver adicção química, que é o consumo exagerado de substâncias.

Didaticamente podemos dizer que existe uma grande semelhança entre Comportamentos Compulsivos e dependência química: a angústia provocada pela ausência, os sintomas emocionais da abstinência, tais como tremores, sudorese, taquicardia, etc, o caráter compulsivo e repetitivo, a importância que essa atitude ocupa na vida da pessoa, o comprometimento na qualidade da vida familiar, profissional, afetiva e social. É assim que, por exemplo, o ato de jogar tem praticamente o mesmo papel que a droga, ou álcool, a cocaína e outras substâncias psicoativas.

Quando os Comportamentos Compulsivos precisam de tratamento:

 Normalmente os Comportamentos Compulsivos precisam de tratamento quando têm como conseqüências, prejuízos significativos à vida da pessoa ou ao seu entorno sócio-familiar.

Tipos de Comportamentos Compulsivos:


1 – Jogar Compulsivo (ou Patológico):

Segundo a CID.10, a característica essencial do Jogo Patológico é um comportamento de jogo mal adaptativo, recorrente e persistente, que perturba os empreendimentos pessoais, familiares e/ou ocupacionais. A pessoa com esse transtorno pode manter uma preocupação com o jogo, tais como, planejar a próxima jogada ou pensar em modos de obter dinheiro para jogar.

A maioria dessas pessoas com Jogo Patológico afirma que está mais em busca de “ação” do que de dinheiro e, por causa dessa busca de ação, apostas ou riscos cada vez maiores podem ser necessários para continuar produzindo o nível de excitação desejado. Os indivíduos com Jogo Patológico freqüentemente continuam jogando, apesar de repetidos esforços no sentido de controlar, reduzir ou cessar o comportamento .

Através do reforço emocional intermitente, onde ganhar é um reforço positivo imediato e perder é “apenas” uma circunstância aleatória, o indivíduo apresenta o comportamento compulsivo de jogar. Está sempre na expectativa de ganhar, como foi conseguido anteriormente. Existe ainda uma sensação especial no comportamento de risco, o que ocupa a mente do jogador fazendo que passe a repetir o comportamento (dependência).

O jogo pode tornar-se uma grande fonte de prazer, podendo vir a ser a única forma de prazer para algumas pessoas. O jogador compulsivo costuma se tornar inconseqüente, gastando aquilo que não tem, perdendo a noção de realidade. A síndrome de abstinência pode estar presente.

2 – Atividade Física Compulsiva (Vigorexia):

A escravização que as pessoas das sociedades civilizadas se submetem aos padrões de beleza tem sido um dos fatores sócio-culturais associados ao incremento da incidência do Comportamento Compulsivo para a prática de exercícios.

É hábito que o ser humano moderno esteja moderadamente preocupado com seu corpo, sem que essa preocupação se converta numa obsessão. Mas, alguns complexos de feiúra ou de estar em desacordo com os padrões desejáveis podem levar à obsessão pela beleza física e perfeição.

Inicialmente essa atividade física pode proporcionar prazer, relaxar, fazer com que a pessoa se sinta mais saudável e bonita. Este comportamento libera substâncias em nosso cérebro responsáveis pelo prazer e bem-estar. Quando isso se transforma num Comportamento Compulsivo, exercitar-se em excesso pode resultar em prejuízo físico, atingindo as articulações, aparelho respiratório e o coração.

O sistema emocional pode ficar comprometido quando se apresenta um Comportamento Compulsivo, constante, comprometendo a realização satisfatória de outras atividades da vida da pessoa e proporcionando sofrimento significativo em outros aspectos.

A Atividade Física Compulsiva deve ser considerada um transtorno da linhagem obsessivo-compulsiva, tanto pela obsessão em musculatura, pela compulsão aos exercícios e ingestão de substâncias que aumentam a massa muscular, quanto pela fragrante distorção do esquema corporal que essas pessoas experimentam. Outro nome para esse quadro e, mais presente nas classificações internacionais é o Transtorno Dismórfico Corporal

Importante ressaltar aqui a atual:  “TIRANIA DO CORPO PERFEITO”

A psiquiatria sempre se preocupou com as influências culturais sobre a saúde mental. Até que ponto os hábitos, costumes e valores sociais influem no desenvolvimento das doenças mentais?

Atualmente, a movimentação dos consultórios de psiquiatria, começa a aparecer em crescente velocidade os problemas decorrentes da obsessão pelo corpo perfeito.

Algumas mocinhas já consideram impossível ser felizes e, ao mesmo tempo, mostrar uma dobrinha na barriga quando sentam. Alguns mocinhos sacrificam boa parte da capacidade de aculturação que a natureza nos deu, em intermináveis e obsessivas horas “puxando ferro” nas academias de musculação.

Isso sem contar com a comodidade que algumas pessoas gozam por poderem atribuir a um pequeno excesso de gordura na cintura, a um nariz ligeiramente mais profuso ou a um seio menos farto, toda a responsabilidade pelos fracassos em conquistar o sexo oposto. Parece estar havendo uma locação anatômica da felicidade, ora no seio, ora no nariz, ora na balança.

O problema não seria grave se a preocupação com o corpo não fosse uma obsessão capaz de escravizar, capaz de entorpecer pessoas em busca de defeitos e dobrinhas aqui e ali, imaginando que se tirasse um pouquinho daqui, colocasse um tantinho a mais ali tudo ficaria melhor, mais perfeito, mais sarado.

Pessoas têm como sonho de consumo a cirurgia plástica, a lipoaspiração ou, como se diz, a lipo-escultura (palavrinha mágica que mistura a perda da gordura com uma coisa artística). Algumas pessoas não se envergonham em dizer (não se envergonham por causa do apoio cultural) que se “pudessem fariam uma plástica geral, trocariam tudo, modificariam tudo”. Quer dizer, são pessoas infelizes com o próprio corpo.

Alguns podem contra argumentar que a pessoa não tem toda culpa por se submeter a esse escravagismo estético. A censura e a vigilância culturais seriam os grandes carrascos da prisão em estreitas calças jeans a que todos somos submetidos. Mas aí poderíamos parodiar Sartre: “– Se não podemos ser responsáveis por tudo aquilo que a cultura e a sociedade nos fez, seremos sim muito responsáveis pelo que faremos com tudo aquilo que a cultura e a sociedade nos fez”.

Alguns dos reflexos psiquiátricos da submissão da felicidade humana ao corpo perfeito, malhado, esculpido, e com músculos bem definidos tem sido a anorexia e a bulimia, mais comum do lado feminino, e a vigorexia, mais comum .em homens. Mas outros reflexos psíquicos não tão patológicos também fazem parte da obsessão pelo corpo, como a privação de contatos sociais, complexos de inferioridade, submissão aos “tratamentos milagrosos” (e caros), retraimento no contacto com o sexo oposto, consumo de medicamentos com severos efeitos colaterais, etc.

Ser jovem, aliás, ser eternamente jovem, é a principal aspiração existencial de algumas pessoas, atualmente acrescida do ideal de beleza de ser magro(a), malhado(a) e esbelto(a). No Brasil, o conceito de beleza está associado a ser jovem, como se fosse impossível encontrar o belo fora da juventude. Talvez por isso nosso país esteja entre os primeiros no ranking da Cirurgia Plástica.

É triste, mas às vezes as pessoas acham que o mais importante é o que aparentam, e não o que são de fato.

Bela, jovem e magra, custe o que custar”. Ser bonita, fazer um book e tentar ser famosa através dos atributos físicos… Este é o conceito ideal que algumas meninas, adolescentes, jovens e mulheres perseguem incessantemente. Modelos, artistas de cinema e de televisão são os protótipos copiados por elas, colocando em segundo plano outros atributos que não os do corpo perfeito.

De fato, romper esses estereótipos culturais tem sido muito difícil. As pessoas são catalogadas culturalmente e classificadas em categorias sociais; jovens e belas, modernas, avançadas, de atitude, arrojadas, descoladas, enfim, nesse mundo pretensamente liberal e democrático, nessa sociedade que se diz respeitar a individualidade e autenticidade, quem não se enquadrar obrigatoriamente no modelinho da modernidade desejada estará, automaticamente, excluído do mundo das pessoas “de bem”. E um desses modelinhos implica na observância obsessiva dos limites do peso, tiranamente estabelecido por sabe-se-la-quem.

Mas há uma luz (tênue) no fim do túnel e aqueles que conseguem seguir o próprio caminho, emancipados dos estereótipos ou modelinhos culturais, parecem viver muito melhor. Foi o que mostrou uma pesquisa feita em 1995 na Universidade de Edinburgh, na Inglaterra, transformada no livro . O autor, o psicólogo David Weeks, pesquisou, por uma década, pessoas que viviam fora dos padrões – tanto de comportamento quanto estéticos. Foram 789 americanos, 130 britânicos, 25 alemães e 25 neozelandeses. Ao fim, concluiu que os excêntricos eram mais seguros, menos estressados, mais felizes e, por isso, tendiam a viver mais.

3 – Comprar Compulsivo (Shopholic)

Assim como os demais Comportamentos Compulsivos ou Aditivos, o comprador compulsivo é, praticamente, um dependente do comportamento de comprar, precisando fazê-lo sem limites para se sentir bem, pelo menos bem naquele momento (para depois arrepender-se).

O(A) comprador(a) compulsivo(a) acaba por consumir coisas pelo fato de consumir e não mais pela necessidade do objeto que é consumido. Ir ao shopping sem realizar algumas compras parece tornar-se quase impossível. Muitas vezes sente-se culpado, porém, como em qualquer comportamento aditivo, o mais comum é perder o controle da situação.

Entretanto, é fundamental fazer a diferença entre o simples hábito pelas compras do Comportamento Compulsivo às Compras. “Os hábitos de consumo são mais emocionais que racionais”, afirma Dílson Gabriel dos Santos, que leciona Comportamento do Consumidor na USP. O professor esclarece que comprar por impulso, mas não por compulsão, é adquirir um bem por sentir uma atração instantânea pelo produto, seja por causa da embalagem, do preço ou do apelo publicitário.

Essas pessoas impulsivas pelas compras cometem as “… pequenas loucuras que se cometem ao passar pelas gôndolas de supermercados”, diz. “Leva-se uma garrafa de bebida, um iogurte ou um pacote de biscoitos a mais”, observa. Já o compulsivo vai às compras como um viciado que sai de casa para jogar ou em busca das drogas, e a Compulsão acaba sendo uma atitude que exclui logo o prazer pela aquisição do novo produto.

4 – Trabalhar Compulsivo (Workaholic):

Com o objetivo de vencer profissionalmente, ganhar dinheiro, sobressair-se socialmente, tem sido glorificado pelo sistema cultural que a pessoa procure dar o melhor de si trabalhando.

O trabalho pode ser utilizado como uma ocupação mental capaz de tomar o espaço de outros sentimentos ou pensamentos mais difíceis de serem vivenciados. Quando a atividade funciona como uma forma de esconder-se, fugir ou não ter que sentir ou pensar em outros problemas, enfim, quando alivia a angústia da vida de relação, o trabalhar pode tornar-se compulsivo, constante, enfim aditivo.

Neste caso, o trabalhar perde sua função natural passando a ser prejudicial ao bem estar físico, familiar psicológico e social do indivíduo. Na compulsão pelo trabalho a pessoa vai de casa para o trabalho, do trabalho para a casa, excluindo-se de sua vida as opções do lazer, as pausas nos finais de semana, o convívio descontraído com a família, etc.

A pessoa com compulsão pelo trabalho freqüentemente exige dos outros o mesmo ritmo que tem para si, costuma criticar demais esses outros, exige perfeição, dedicação e devoção ao trabalho, tal como elas próprias se comportam. E o próprio Compulsivo para o Trabalho sofre com sua situação.

Normalmente são pessoas severas, isoladas, inflexíveis, perfeccionistas, amargas e exageradamente “realistas”. Por causa dessas características os workaholics racionalizam tudo na vida, ocultam seus próprios sentimentos, têm um contato mínimo com eles próprios e mantêm abafados seus conflitos íntimos.

Para essas pessoas o trabalho é seu escudo protetor e, melhor que isso, trata-se de uma atitude fortemente enaltecida pelos valores sociais. Mas, na realidade, o workaholic também sofre, normalmente é um insatisfeito consigo mesmo, alimenta a fantasia de ser potente e meritoso. Na verdade, toda essa voracidade para o trabalho pode estar aliviando sentimentos de angústia por se acreditar um pai omisso ou uma mãe ausente, um companheiro fugidio, etc.

5 – Transtornos Alimentares; Comer Compulsivo (Binge-Eating):

Os Transtornos Alimentares constituem uma verdadeira “epidemia” que assola sociedades industrializadas e desenvolvidas acometendo, sobretudo, adolescentes e adultos jovens. Vivemos em uma sociedade na qual existe o culto da magreza. Assim, comer, um comportamento universalmente tido como prazeroso, torna-se alvo de preocupação de muitas pessoas. Como usufruir deste prazer sem sentir-se fora dos padrões sociais de saúde e beleza?

Quais serão os sintomas dessa epidemia emocional? De um modo geral, o pensamento falho e doentio das pessoas portadoras dessas patologias se caracteriza por uma obsessão pela perfeição do corpo. Na realidade, trata-se de uma “epidemia de culto ao corpo”.

Essa “epidemia” se multiplica numa população patologicamente preocupada com a perfeição do corpo e que está sendo afetada por alterações psíquicas caracterizadas por distúrbios na representação pessoal do esquema corporal. Os Transtornos Alimentares vêem aumentando sua incidência perigosamente e já começa a alarmar especialistas médicos, sociólogos, autoridades sanitárias.

Essa busca obsessiva da perfeição do corpo tem várias formas de se manifestar e, algumas delas, diferem notavelmente entre si. Existem os Transtornos Alimentares mais tradicionais, que são a Anorexia e Bulimia nervosas mas, não obstante, existem outros que se estimulam e desenvolvem na denominada “cultura do esbelto”

Todos estes Transtornos Alimentares compartilham alguns sintomas em comum, tais como, desejar uma imagem corporal perfeita e favorecer uma distorção da realidade diante do espelho. Isto ocorre porque, nas últimas décadas, ser fisicamente perfeito tem se convertido num dos objetivos principais (e estupidamente frívolos) das sociedades desenvolvidas. É uma meta imposta por novos modelos de vida, nos quais o aspecto físico parece ser o único sinônimo válido de êxito, felicidade e, inclusive, saúde.

Anorexia Nervosa, por sua vez, é um transtorno emocional que consiste em uma perda de peso derivada e um intenso temor da obesidade. Esses sentimentos têm como conseqüência uma serie de condutas anômalas. A Anorexia Nervosa acomete preferentemente a mulheres jovens entre 14 e 18 anos.

Bulimia Nervosa é um transtorno mental que se caracteriza por episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos num curto espaço de tempo (as crises bulímicas), seguido por uma preocupação exagerada sobre o controle do peso corporal, preocupação esta que leva a pessoa a adotar condutas inadequadas e perigosas para sua saúde, como por exemplo o vômito freqüente, uso abusivo de laxantes e diuréticos. A Bulimia Nervosa também acomete preferentemente a mulheres jovens ainda que algo maiores que em Anorexia.

Ortoresia   não é um transtorno alimentar reconhecido, ou seja, não há o diagnóstico no DSM-IV, mas se caracteriza quando as pessoas  apresentam uma obsessão pela alimentação saudável, por causa disso cada vez mais restringem sua alimentação.

Essas pessoas eliminam alimentos que contem corantes, conservantes, gordura trans, sal, açúcar ou outros componentes que considerem prejudicial. O termo foi criado pelo médico americano Steven Bratman.  Não há um tratamento recomendado, sendo indicado pelo médico, que normalmente vale-se de terapia nutricional e psicológica.

Seus sintomas são:  Examina o alimento em cada pormenor;  Não come fora de casa, por não saber como o alimento foi preparado; Não come aquilo que considera prejudicial à saúde; Perdeu muito peso, mas sem seguir uma dieta para isso; Observa e comenta como as pessoas preparam alimentos; Desenvolve rituais em torno das comidas.

 As Complicações médicas sãoDeficiência em vitaminas; Anemia; Osteoporose; Deficiência imunológica; Impotência sexual; Perda de cabelo; Depressão; Insônia; Irritabilidade.

A Obesidade pode ser considerada hoje uma doença crônica, capaz de provocar ou acelerar o desenvolvimento de outras doenças e que concorre para uma morte mais precocemente. Porém, existem inúmeros estados ou situações entre a obesidade e o simples sobrepeso e as regras de um estado não deveriam ser as mesmas do outro, em termos de felicidade.

A Obesidade, de fato, deve ser prevenida e corrigida, tendo em vista os sabidos efeitos deletérios sobre a saúde e a qualidade de vida. O sobrepeso, entretanto, deve ser melhor avaliado à luz das repercussões culturais, das restrições sociais e da baixa autoestima que esses fatores estimulam.Alem dos transtornos estimulados pela conjuntura cultural, há ainda o problema imposto às pessoas com sobrepeso.

Existem dois agravantes sociais cruciais influindo na vida das pessoas acima do peso ideal; uma influência francamente recriminadora e de exclusão social dos obesos e outra, absolutamente estimulante para a manutenção e desenvolvimento da própria obesidade.

É grosseira e desumana discriminação estética imposta pelos parâmetros ditatoriais das medidas, juntamente com o julgamento do obeso como uma pessoa que não tem força de vontade e que ele é assim por ser preguiçoso. Cogitar deixa-lo do jeito que estiver, principalmente se estiver se sentindo bem com isso, nem pensar.

O policiamento cultural é intenso. O enfoque discriminatório pode gerar preconceito em relação à pessoa obesa, acaba proporcionando dificuldades para relacionamentos sociais e afetivos, problemas para encontrar emprego e até quadros psiquiátricos gravemente depressivos e conseqüentes a essa marginalização.

Paradoxalmente, em franca contra-posição à tendência repulsiva da sociedade contra a obesidade, a ingestão excessiva de alimentos, desde criança, é bastante estimulada por nossa cultura altamente consumista. A armadilha está no forte apelo cultural através da propaganda, do marketing e da mídia publicitária para a ingestão excessiva de alimentos supérfluos, como balas, bolachas, salgadinhos, cerveja, sorvetes, etc.

O próprio relacionamento social concorre para a ingestão de alimentos, como por exemplo, o costume de agraciarmos nossas visitas, amigos, clientes ou grupos culturais com jantares, lanches, happy hour, cafezinho, bolo, etc.  Leia mais no Menu em  OBESIDADE.

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